Nadia Greco

IIIIIIIIIIArtigos - Mitologia

Veja nesta página artigos de Nadia Greco publicados no site da Constelar - Revista sobre astrologia, cujo endereço é http://www.constelar.com.br.

Mitologia e tempos modernos
Palestra de CYD MARCUS com transcrição a 4 mãos de Nadia Greco e Rose Villanova

Nimphoymeses quer dizer: deita, dorme e sonha, - algo assim - então você: - chás, terapias, teatro, prática de esportes, tudo isso havia lá; ( doutor Jung babou, naturalmente, quando ouviu isso...); então temos a necromancia, a necromancia é a interrogação da alma dos mortos, negócio que têm muita semelhança com o que temos hoje e que foi criado no século 19. Há uma passagem na Ilíada, desculpem, na Odisséia, quando Ulisses volta ele,vai ao país dos Sinérios, um país que fica perto da região escura dos infernos, do Hades, que ele vai chamar os mortos para interrogá-los, essa interrogação dos mortos era muito comum no mundo grego, e havia uma expressão popular dessa interrogação da alma dos mortos que os gregos naturalmente procuravam colocar no seu devido lugar, eram os psicagogos, quer dizer aqueles que atraíam e conduziam as pessoas em desespero para conversar com os que já tinham ido.


Decoração em residência na cidade de Pompéia

Os psicagogos, aqueles que conduziam almas, espíritos dos que morreram, manipulavam as almas, você tinha um problema chegava lá e você quer falar com quem?... então ele o psicagogo,ele montava, o teatro nasce daí,nasce dessa forma da necromancia, uma das grandes hipóteses da origem do teatro , que o teatro tem origem nesse mundo grego vem exatamente dessas cerimônias que se montavam para chamar os mortos á vida. Ulisses faz isso na Odisséia, ele despeja vinho, o vinho dá essa energia, e os espíritos, isto é, as almas, tomam momentaneamente força e falam.

Temos a quiromancia, leitura das mãos, cheir é mão, daí vem cheirurgus - cirurgião, é aquele que trabalha com a mão, quiromancia e outras formas vem. Havia uma variante muito importante no mundo grego, aqueles que faziam os objetos se mexer, ou então movimentavam objetos; Santo Agostinho vai descer o pau nesta gente, isto é a goetia, ou goeteia . São expressões, temos todas essas profecias de nível popular evidentemente. Mas nesse mundo tudo era fenômeno, tudo era interpretado, tudo era sagrado, tudo merecia, tudo era sinal, neste mundo grego. Então acontecimentos que escapavam do real, do previsível, eclipses, cometas, meteoros, anomalias no nascimento, imagens que transpiram ou sangram, tudo isso também fazia parte desse mundo da profecia. As sentenças eram dadas por oráculos. Oráculos eram centros religiosos que estavam na mão de um deus, Zeus, Apolo, alcance internacional dos oráculos. Oráculo também era sentença e também era o lugar, então os grandes oráculos do mundo grego: Zeus e Apolo, Delfos, Olímpia, Dodona, Amom - no Egito - então eram centros de profecias.Temos em Dodona o grande centro de profecias, talvez o mais antigo centro de profecias da Grécia onde as adivinhações, as profecias eram feitas por profetisas que liam o movimento dos galhos das árvores, a movimentação. A árvore na antiguidade, no tempo em que a Europa era coberta de carvalhos,carvalho era a árvore de Zeus, essa era a árvore então pela qual a divindade falava e havia a interpretação dos movimentos.

Muitas consultas, a mântica, a palavra mântica vêm do verbo grego manesthae - ser tomado de grande furor; por exemplo as sacerdotisas do deus Dionísio chamavam-se de mênades por causa desta agitação, se agitavam muito, a dança delas a coreografia dionisíaca escapa assim do ritmo apolíneos. Apolo tem um ritmo majestoso, o ritmo de Dionísio é irregular é uma coreografia alucinada que lembra sempre transe. Tudo isso vem a propósito, três tipos de mântica: a dinâmica ou por inspiração divina, então a mântica isto é a adivinhação, a profecia pode vir por inspiração direta de deus, o deus toma a pessoa e fala, inspiração direta como o caso das pitonisas, das sibilas. Pode ser por indução, a profecia por indução então você vai ... piromancia - adivinhação pelo movimento das chamas, era uma das... essa indução você trabalhava por indução, você partia de um fato e ia, a oomancia ou ooscopia, são formas de profecia por indução e a profecia ctônica ou por incubação . A profecia por incubação levava você a deitar e dormir, para você sonhar,então os sonhos poderiam estar libertando seu inconsciente, baixava um intermediário divino chamado daimon,daimon é um intermediário que a divindade manda ; depois toma o nome de demônio - negativamente; mas daimon é esse emissário divino que vinha no seu sonho para dar o toque e então você interpretava isso. 

Quatro formas de mântica ou delírio, estas quatro formas estão aqui e são muito importantes, é chamado delírio divino, de acordo com o deus que toma posse da pessoa : a mântica profética é de Apolo, a mântica erótica é de Afrodite e de Eros, a mântica ritual ou mistérica é de Dionísio e a mântica poética ou das Musas.

As divindades tomam posse e então você fala, você escreve, você compõe, então essa idéia é importante, o que nos interessa é a mântica poética das musas, as musas são nove e são filhas da deusa Mnemósyna, a deusa da memória, a palavra mnemósina, deusa da memória quer dizer lembrar-se bem .Teve nove filhas . Musa vem de uma palavra que significa guardar bem, conservar, por isso museu é um lugar onde se conserva as coisas dignas de serem conservadas. Então as Musas guardam as produções superiores que precisam ser conservadas. Então as Musas inspiram essas coisas superiores. A loucura produzida pelas Musas, esse delírio profético é indispensável á criação da melhor poesia, porquê a criação poética para o grego continha um elemento que não era escolhido ou obtido, mas dado pelo deus, não basta ter técnica, não basta ser um hábil versejador, é preciso ter aquele algo mais que o deus dá para ser verdadeiramente um poeta e isto vale até hoje para nós. Você tá cansado de ver sujeito que é bom, arruma bem, tal, mas falta aquele negócio que o grego diz claramente,falta aquele algo mais. Esta é a distinção que a gente faz por exemplo entre eloqüência e retórica, eloqüente você nasce e retórico você se torna, retórica se aprende, aprende a falar, mas eloqüente você nasce - o deus assinalou.

Esta coisa que o deus dá e que torna o poeta verdadeiramente um poeta e não apenas um técnico muito bom, o grego dava o nome de Kidos. Kidos é uma palavra que significa: feito, feito pode ser um feito guerreiro, excepcional. Aquele dedo de deus que baixa em alguém; você por exemplo bate aquele recorde que nunca ninguém bateu, aquele sorpasso, aquele algo mais no esporte, na arte, na guerra. Por exemplo Aquiles recebeu o kidos divino, os deuses tem o kidos eternamente, de vez em quando os deuses concedem a um mortal esse kidos momentâneamente, dão e tiram, é uma fossa quando tiram, pô recebi, fui assinalado e de repente eles tiram, então a decadência... Os deuses dão ás vezes á um humano esse poder excepcional e é quando o humano se iguala ao divino momentâneamente. .O nome disso o grego falará kidos, feito, glória, algo assim que irá fazer com que o lembremos eternamente.

As musas inspiravam o poeta. Mnemosina a dona da memória estava por trás disso tudo, porque o poeta tira do esquecimento, os gregos diziam o poeta e a lápide perpetuam o grande herói.

As pedras, as inscrições, estão ali para atestar quem foi; agora quem tira aquele que vai viver para sempre é o poeta, que vai cantar e é o que aconteceu com Aquiles. A Aquiles perguntaram: queres morrer na juventude em plena explosão do teu heroísmo, ou você quer ficar por aí ter uma morte anônima, e tal, morrer esquecido e Aquiles disse: quero morrer jovem e ser lembrado para sempre como um herói, o maior de todos? e assim foi feito, Aquiles morre, explode no seu heroísmo e taí até hoje lembrado por todos. É uma idéia, para trabalharmos com ela. Então a poesia tem faculdades misteriosas que dependem da graça divina, do kidos, não é qualquer um que recebe isso, o poeta recebe. Hesíodo no “Trabalho e os Dias” ele diz que viu as Musas, na “Cosmogonia” {Teogonia} também, a invocação das Musas. Camões também fala isso.

Então as Musas viviam na montanha, perto dessa montanha havia uma fonte, a fonte de hipocreme, fonte que havia sido criada, fonte que brotou quando o cavalo alado da mitologia grega, Pégasus, bate com seus cascos nessa montanha e dali jorra a fonte de hipocreme.

Cavalo como símbolo desse, dessa inspiração, desse psiquismo borbulhante. Porquê o cavalo branco? O cavalo branco é símbolo da inspiração controlada, só o herói monta o cavalo. Quer dizer o Pégasus simboliza aquela inspiração controlada, a grande inspiração; ao passo que o outro cavalo ameaçador é o cavalo que vem noturno, escuro, aquele cavalo que aparece no sonho. Aqui não fala-se inspiração controlada. Hesíodo coloca para nós todo o seu problema existêncial, a luta com o irmão, conselhos. A literatura de 

Hesíodo têm o nome de literatura sapiencial, é literatura de conselho, por exemplo na Bíblia nós encontramos dois tipos de literatura sapiencial: o Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, Que aparece através de conselhos admoestações, toda essa literatura que procura encaminhar a pessoa é um gênero literário, é a literatura sapiencial. Então para Hesíodo nos ***“Trabalhos e os Dias” aparece ali uma profecia a: escatologia, Hesíodo vai falar do fim dos tempos.

Isso aparece quando ele fala das Idades, das cinco idades pelas quais passam a humanidade, ou passará a humanidade. Cinco e cinco raças que se sucedem sempre segundo uma ordem progressiva de decadência. Então Hesíodo começa a falar profeticamente de um tempo em que vivemos uma idade do ouro, há um metal , há uma raça associadas ou associados á cada nível.

Primeiro nível uma Idade do Ouro - a humanidade teria passado pela idade do ouro, nessa idade do ouro não havia trabalho, não havia luta,não havia guerra, não havia distinção de sexos, deuses e humanos; humanos são os nascidos da terra - do humus - nós, vivíamos em comensalidade absoluta, os deuses e os humanos comiam juntos, viviam bem, não havia sofrimento, não havia nada, a morte era um sono, então não havia moléstias, não havia nada. Havia virtude - adict - os hindus têm os mesmos conceitos, essas idades. Os Hindus falam que nessa idade tínhamos quatro/quartos de virtude. A virtude total na Idade do Ouro, as pessoas quando morriam se transformavam em daímones( gênios),isto é intermediários entre os humanos e os divinos, os deuses, viravam intermediários. É o culto dos ancestrais que aparece em todas as religiões, esse culto dos mortos, da família,toda essa ancestralidade que fica ali intermediando, eram os daímones. Então os reis são justos, sábios, há uma passagem para uma outra era, sempre no sentido de uma degradação progressiva, a Idade da Prata: Hesíodo fala: - Nessa idade a prata é um metal inferior ao ouro, aqui surge o que Hesíodo chama de hýbris. Hýbris é uma palavra que aparece muito na mitologia grega, significa descomedimento, falta de medida, não física, mas a violência moral, orgulho, prepotência, vaidade. Toda mitologia grega está impregnada deste conceito, desta luta que temos que travar para segurar esta falta de limites. Diferente da violência física em grego é bya, força bruta, coação é o prendo e arrebento. Hýbris é o vaidoso, prepotente, o inflado, esse ego poderoso que não vê limites, isso é a hýbris, um horror para o grego, mas sempre uma luta constante. ( a história bíblica do “bezerro de ouro” teria então marcado? essa passagem... obs. Nádia)

Na Idade da Prata, perde-se um quarto da virtude, então a virtude que era de quatro/quartos, desce para três/quartos, perdemos um/quarto, a virtude diminue, menos justiça, a hybris aqui é religiosa. Então na Idade da Prata, o humus deixou de reverenciar a divindade, isto é deixou de ver algo maior do que ele mesmo. Essa perda da espiritualidade se revela sempre no mito pela perda do todo, isto é o homem se afasta da visão do todo. Este ser espiritual é um ser que está ligado á totalidade. Quando na idade da prata perdemos um/quarto, perdemos essa nossa integração do todo, o homem começa a perder o sentido do seu próximo, do outro, do que está ao seu lado, isso é progressivo, então é uma violência religiosa, que Hesíodo chama de adkia, falta de justiça ou asebeia, impiedade. Há uma perda progressiva, o sentido do outro começa a se perder, não reverenciamos mais algo além de nós mesmos, isto é a perda do religioso. Não estou falando de instituição, religião nenhuma, isto é uma tradução social muito importante, antes de ser um talvez um fato religioso é um fato social. Então o que é que Hesíodo diz: - Não sacrificamos mais , não reconhecemos mais a soberania dos deuses; isto é reconhecer a soberania dos deuses é reconhecer que há algo além de nós, isto é perdido. Então os que morrem, continuam sendo daimones, porém inferiores. 

Passamos para uma terceira idade, a Idade do Bronze, a matriz destes homens é a guerra, a violência, eles já se inspiram no deus Ares, que tem o nome, o apelido de calcheu, isto é aquele que é do bronze. ( - os historiadores dizem que para construir o Colosso de Rodes, Alexandre, o Grande mandou fundir todo o bronze existente no mundo antigo... obs. Nádia). Então só se houve o metal, as lanças, a guerra, a violência bélica, a força bruta. É o período das guerras, perdemos mais um/quarto da virtude, dizem os hindus, aplicamos aqui. Então agora estamos só com dois/quartos da virtude. De quatro/quartos, isto é da totalidade estamos só com dois/quartos. Estranhamente Hesíodo cria a Idade dos Heróis, em nenhum mito têm história, a idade dos heróis, Hesíodo cria a idade do heróis, esses heróis para Hesíodo são de dois tipos: há o herói que só procura a violência, a guerra, cheio de hybris, para esses o inferno, esses vão povoar o hades. E os heróis da justiça, então Hesíodo faz uma separação, fala na boa nos heróis da justiça aqueles que vão fazer a guerra certa, esses quando morrem vão para a ilha dos bem-aventurados .( ... o Valhala do Vikings - obs. Nádia) E finalmente a última idade, esta nela nós estamos vivendo. Hesíodo, quando Prometeu rouba o fogo dos céus e o entrega aos humanos rebelando-se contra Zeus, Zeus manda que Hefestos crie essa mulher maravilhosa chamada Pandora e que ela desça para os humanos para provocar a divisão entre o masculino e o feminino. 

Então a partir daí, na Idade do Ferro o humano se divide e estamos até hoje divididos,essa divisão trouxe a nossa perdição.E Hesíodo têm a seguinte expressão quando ele fala -- nesses tempos que virão, 

com o fogo que Prometeu nos trouxe as grandes conquistas que virão em cima desse fogo, tecnologia poder racionalidade, toda esta história cpmeça com este conflito entre Prometeu e Zeus. Muito longe teríamos de ir para explicar,mas vamos ficar com esta idéia. 

Fizeram o fogo, isto é bíblico, o Prometeu traz este fogo do céu dentro de um galho de uma figueira. Esta figueira bíblica é a figueira de Prometeu. ( o figo é símbolo de útero - Nádia ) É a mesma coisa, é a *ficus religiosa. Essa ficus religiosa, vai aparecer no budismo. Buda têm a sua iluminação embaixo de uma ficus religiosa ( dá a luz uma nova religião - Nádia ) . Na Índia essa figueira tem o nome de ... ou , isto é a árvore embaixo da qual os cavalos se aquietam. E qual é a proposta de Buda? segurar os cavalos internos. É a mesma figueira, a figueira do budismo, a figueira de Prometeu, a figueira da bíblia, a mesma coisa, ficus, fogo, sobrecarregar o fígado, por isso Prometeu vai ter o fígado destruído, exatamente esse orgulho que nos tomou quando recebemos o fogo e diz agora podemos tudo. Então podemos ler o livro de Prometeu em várias direções ( ... ), mas uma delas é esta Hesíodo coloca. Então Hesíodo diz o seguinte: Oxalá não tivasse eu que viver entre os homens na quinta idade, profecias de caráter escatológico, melhor teria sido morrer mais cedo, ou ter nascido mais tarde, porquê agora é a idade do ferro. Este conflito entre Zeus e Prometeu inaugura a idade do ferro. Essa idade do ferro tráz miséria, doença, velhice, morte, incertezas.** Pandora é a mulher fatal, então teremos agora o trabalho, o sofrimento, teremos que pagar, e nada mais virá de graça, isto é na quinta idade na idade do ferro perdemos a geraça, porquê antes recebíamos de graça dos deuses, agora para receber alguma coisa temos que pagar. Então essa quinta idade instaura para o humano essa lei universal: temos que pagar para obter alguma coisa, isso trazido para dentro das nossas vidas, é impressionante. Você quer melhorar o corpo vai ter que investir, disciplina, trabalho, quer ter um país arrumado , socialmente organizado,tem que pagar por isso , não é acordar um dia e dizer que o real vale uma coisa e o dólar outra... Você não pagou por isso, tem que pagar. Quer dizer quem lê uma mitologia, quem lê uma filosofia hermética foi entendendo logo isso, tem que pagar pelo seu. A lei é esta tem que pagar, não pode ter o seu pão e guardar o seu dinheiro, a não ser que seja da turma do ... tudo bem.

O problema é este você quer ter, paga. Sempre tem um pagamento, tempo, sacrifício, disciplina, sempre isto foi instaurado na quinta idade, quando nos afastamos e perdemos a graça. Agora os deuses não serão mais doadores, mas protetores na medida do que você der á eles. Zeus disse isto muito claramente para nós, daremos a vocês o que vocês derem á nós, na mesma proporção. Você se queixa que está tudo feio por aí, esta loucura, mas isto existe por que nós somos assim, não falo de nós aqui, somos exceção, claro... estou falando da turma aí fora, então esta história, esta coisa toda que está aí é um reflexo, é uma média de tudo isto... isto só vai mudar quando nós mudarmos, não adianta botar alguém que vai mudar, esse alguém apodrece logo, rapidamente; isto é uma lei dos hermetistas, a lei da compensação, é aquela história, o toblerone de hoje são os dois quilos de amanhã... e compensa de um lado, se faz plástica, tira daqui, sobe dali, sempre está pagando por alguma coisa, isto foi instaurado na quinta idade. A profecia e Hesíodo fala muita coisa, não vai haver mais justiça, só vai haver comedores de presentes, falsificação. Ele cantou , deixou isto muito claro com o que viria em cima desta conquista nossa, a conquista do fogo. Querem o fogo? tê-lo-ão, agora agüentem o tranco tem que pagar, o fogo trouxe tecnologia, racionalidade, ciência, comemos, na bíblia está claro, comemos da árvore do conhecimento, e largamos a árvore da vida (a imortalidade - Nádia ), é o mesmo lance, perdemos este outro lado, perdemos o todo, nos separamos, o fogo trouxe essa separação. 

Conclusão final: luta, luta, para ser alguém para ter consciência, para não ser massa de manobra e um dia você percebe que só pode melhorar isto se você arrebentar o seu ego, destruir esta hipertrofia na qual você se encontra, então esta é uma das grandes sacadas proféticas da bíblia e da mitologia grega. Encerrando Hesíodo, o tema de Hesíodo , desculpe Hefestos, Hefestos é uma divindade grega deus da forja, da metalurgia, dos metais, das barras incandescentes, desu dos nós, deus que produz maravilhas em cima do fogo. Hefestos é o deus do elemento ígneo, aplicado a produção de bens materiais. Então os gregos digamos doaram esta divindade para falar, para aquele poder de criar coisas através do fogo,isto é industrialização, tecnologia e tudo isso. O que Hefestos faz ninguém 

tira, ninguém rompe, ele é o deus que cria armas ofensivas, defensivas, criou robôs, ourives divino. Porém Hefesto é um deus mutilado, tem um defeito nos pés, ele é coxo, como as chamas são claudicantes, a chama vai para lá e para cá, essa ambigüidade da chama corresponde á Hefestos, essa coisa que o fogo pode levar para cima ou se transformar no inferno, a tecnologia e ciência. E mais Hefestos têm os pés virados para trás, voltados para trás, mas ele é um deus que produz coisas maravilhosas, senhor do elemento ígneo, ele vive nas regiões vulcânicas, nas ilhas, domina esta força toda que está nos vulcões, é um modelo do homo-faber que viria e é o deus das eras industriais que viriam, o grego já cantou a bola quando criou este deus. Cuidado com as maravilhas que Hefesto cria, estas maravilhas nos fascinam, e a palavra fascínio vem de fascys que significa enfeixar, prender, atar. Todo mundo preso atado e desta palavra sai facismo também. ( ... Mussolini morreu e foi atado pelos pés em praça pública, ele e sua mulher. obs - Nádia) Então é a tecnologia fascista que hoje manda no mundo, esta tecnologia que embasbaca, que nos espanta, uma tecnologia da qual não podemos nos libertar mais. Então você não se livra mais dessa tecnologia que é maravilhosa e infernal ao mesmo tempo. Você consegue largar um telefone, largar celular, se consegue não participar dessas nets,você não pode, mas ao mesmo tempo isto é um horror e aquilo que vinha para unir, separa,essa tecnologia que viria para unir, separa, essa ambiguidade é Hefestos, que é um deus que cria essas maravilhas que nos levam para diante mas tem os pés(tb símbolo de peixes obs. Nádia) voltados para trás, não esqueçam disso. Então essa sacada que o grego coloca, essa ambigüidade, perfeição, outra coisa, Hefestos é um deus amoral, aético, esse é outro caráter da ciência moderna, a ética absurdamente amoral, é o cientista que não questiona a maravilha que tem que produzir. Hefesto vai prender Prometeu nas rochas, uma passagem do prometeu acorrentado está aí, e dizem para Hefesto - mas é um outro deus que você está prendendo, Prometeu é primo ( tio?) de Zeus , é uma divindade... ( titã), ele diz - olha, eu não quero saber disso, meu negócio é que recebi a incumbência para prender, eu vou prender...

Hefesto é aquele cientista que recebe a ordem mas vai produzir aqueles horrores, átomo, bomba, clonagem e toda esta coisa, todas estas experiências que vêm por aí, que são produzidas por absurda falta de ética, a ciência e a tecnologia basta a perfeição técnica, eles não entram em cogitações, a perfeição técnica bastava para Hefestos, maravilha. E essa maravilha prendeu voce fascinava e você não se libertava mais, e os gregos enxergavam esa tecnologia que vinha, e hoje a tecnologia vai bem obrigado, o mundo produz coisas maravilhosas, mas a qualidade de vida piora proporcionalmente,mais violência, mais agressão, você abre o jornal e não é só aqui, é no mundo todo. Que está acontecendo? Porque 62% da população americana chegou á droga, uma vanguarda mundial, sonho de ser, de participar daquele progresso todo, Bill Gates, o apóstolo da nova era, maravilha tudo isso, mas o quê que acontece que isso não satisfaz, isso não dá essa tranquilidade toda, não melhora, não cura... o que está acontecendo? Hefestos está por trás disto, os pés para trás, a sua dupla natureza, o defeito físico é compensado pela produção maravilhosa. Hefesto é o conflito do saber fazer e do saber viver. Não basta saber fazer, é preciso saber viver. Esta apologia, a moçada hoje, educação hoje está preparando toda esta gente no caminho da tecnologia,hoje se um moleque de quatro, cinco anos já não mexe em computador ele está fora. Não vai ser competitivo. Você está preparando indivíduos, mas não seres socialmente aptos, você investe no indivíduo, como um cavaleiro armado: computador, karatê, é isto que você quer, seu filho tem que ser assim altamente competitivo, todo pai quer isso que ele vá ser bonzão lá na frente. Agora pergunte o que que ele acha do compromisso social ? zero - nenhum. Então Hefestos (ou Hesíodo?).

cantou a bola, as eras industriais que viriam, cuidado com a tecnologia ele apontou, o grego cantou a bola para nós, é um dos grandes lances, isso iria longe explorar toda esta temática, mas o como o tempo ruge... e á horas faz, estamos aqui neste final de sábado, trabalhando com as profecias e as mitologias... Fecho por aqui, agradeço a paciência e a atenção de vocês, e não sei se cabíveis perguntas ou não, o cansaço já é grande... 1 - ... Pergunta:...

R: O problema foi o seguinte, o problema da esperança, quando a jarra que Pandora trouxe, libertou todos estes males, fecharam a jarra e seguraram a esperança, esta foi a pior coisa que Zeus poderia ter feito com os humanos, porque os humanos perderam o presente e agora vivem sempre pensando no futuro. Essa foi a maior sacanagem de Zeus..., a gente está sempre pensando no futuro, perdemos o presente, exatamente esta foi a maior desgraça que nos aconteceu, a Helpys grega, viver de esperança, essa esperança, você não tem que viver de esperança, você tem que viver o aqui e o agora, essa foi a desgraça e tem muita gente que vê isso positivamente, esse foi o lado mais negativo dessa jogada Prometeu - Zeus, essa coisa toda.

2 - Perg: O que me interessa muito na mitologia grega, é uma coisa de divisão da alma, a chamada esquizofrênia, seria o pecado?, pecado... R: - Só talvez amarrando, a esquizofrênia surge na Grécia, através de um deus , de Cronos, é a segunda dinastia divina, a primeira Urano - Géia, a segunda Cronos. Cronos castra o pai Urano, esta castração na mitologia tem o nome de esquizogenia, separação, corte; esquizo em grego é cortar, fender, separar, então com Cronos nos separamos daquela.... É a segunda dinastia que veio, e daí para frente vamos perder, viemos para a matéria,( encarnamos e o corte do genital masculino é a separação alquímica? obs. Nádia ) Cronos inaugura a segunda dinastia que traz os Titãs, é neste reino que aparecemos nós os humanos. 

3 - Perg. E tem cura a divisão da alma? R: O dia que percebermos que deixando a divisão, nos tornamos deuses, o grande segredo dos deuses com relação a nós é que eles sabem que estamos sempre nos dividindo, o dia que você aprender a não se dividir mais, você vira deus. Só isso. O dia em que o judeu e o árabe perceberem que vem de um mesmo tronco, que são os semitas e não serem mais manipulados pelos americanos acaba a divisão. Então o momento em que você sai da divisão, a divisão veio exatamente com a conquista do fogo, é o preço que nós temos que pagar, adquirir a luz é o nosso processo de individuação, você paga um preço elevadíssimo para se individualizar, você se separa, se separa do outro, porque o intelecto faz você passar na frente, ele não põe você em relação ao outro, o que põe você em relação com o outro é a via espiritual, não estou falando de religião nenhuma, apenas que a via espiritual é que me põe em contato com o outro, e não a intelectual, a intelectual me faz passar na frente do outro, sou mais esperto, mais hábil, sei passar, é o Senna, querem fazer do Senna o herói da garotada, e o que é o Senna? um cara que sabe passar na frente do outro, então essa idéia, não é a via intelectual que vai melhorar o mundo, é a via espiritual, acabou a divisão da alma, agora não é fácil, se a gente conseguir, vamos batalhar...

Foi a pior coisa que aconteceu a esperança ter sido conservada dentro da jarra...A sua vida é aqui e agora, sua vida é o presente, não tem que ficar esperando,você perdeu o presente... lá vai dar, você nunca está onde está. 

4 - Perg. - Os gregos copiaram do hindus que são mais antigos, mais milenares? R: Não digo que tenham copiado, não existe isso, isso aparece simultaneamente, ou até em períodos históricos diferentes, mas isso faz parte de um inconsciente coletivo, aí você diz - será que o pessoal do candomblé teve contato com a mitologia grega? Será que Xangô, que usa o relâmpago, usa o raio,Zeus também será que tiveram contato? Não, são arquétipos, são modelos que aparecem aqui, além, agora, no Egito, e você estuda esses mitos todos você nota que tudo está relacionado.

 

Palestra Professor CYD MARCUS - PALAS ATHENA -1999

Observações pessoais sobre o texto - Nadia Greco

* Ficus religiosa: O figo era símbolo da Deusa na antiguidade e conseqüentemente também consagrado á Vênus e usado em encantamentos, poções. 

A primeira roupa de Adão e Eva foi uma folha de figo logo após eles terem adquirido conhecimento (referindo-se á encarnação da alma no útero..., a roupa da alma .) O figo sempre foi um símbolo feminino e representante da yoni . - pag. 308 - do texto FIG de “ The woman’s encyclopedia of myths and s

ecrets - Barbara G. Walker -” 

Livros: Hesíodo: O Trabalho e os Dias - Teogonia

 

A Águia e a Legião Romana

Entre outras renovações militares que fez Caio Mario e de grande importância, foi a introdução da Águia como símbolo das legiões. Antes as tropas eram precedidas de outros quatro emblemas de animais: o lobo, o minotauro, o cavalo, e o javali. ...os soldados romanos então com estes símbolos dos animais reuniam-se para formar "a coorte", a frente deles um soldado, o vexillifer, com o vexillum com o número "das coortes". Á frente da legião usava-se a águia de argento ( citações de Plínio o Velho) e na época do Império seria então de ouro. Primeiramente portavam a águia somente em combate, deixando os outros símbolos no acampamento. Mario inverteu este costume e a águia se tornou símbolo do Império, e com seus soldados portavam a "pax romana" aos povos.

No território de Arpino ( Arpinum ) antiga cidade de muralhas ciclópicas; no borgo chamado Cereate, atual Casamari - (- casa de Mario )- nasceu em 157 a.C. - Caio Mario ,onde foi encontrada esta epígrafe:
C. MARIO C.F. COS.VII PR TRIB. PL.Q.TRIB. MIL : Caio Mario, filho de caio, cônsul sete vezes, pretor, questor, augure, tribuno militar. ( notemos o detalhe de augure, os comandantes de roma exerciam também este cargo)* tribuno da plebe;era de origem camponesa e sua educação foi mais militar que civil. 
*Tribuno da plebe:esse cargo surgiu um pouco depois do estabelecimento da República , quando a ordem plebéia estava em conflito com os patrícios.
Em Arpino também nasceram Marco Tullio Cicerone ( o famoso orador Cícero) em 106 a.C. e Marco Vispasiano Agrippa, genro de Augusto e construtor do Pantheon, em 63 a.C. 
Arpino tem um site que pode ser visitado em www.arpino.it.

Estas e outras informações estão no livro: Caio Mario di Massimiliano Contuci. Edição do Assessorato Alla Cultura - Cittá de Arpino . Meu pai também nasceu em Arpino, e suas muralhas ciclópicas estão lá até hoje para admirarmos; e a Águia está lá imensa numa fonte para todos se lembrarem desta história tão importante sobre o Império Romano e Arpino 
Na época de Caio os italianos que quisessem aprender grego ( o que era muito importante no período) iam para Roma e foi isto que Caio fez ao final de sua adolescência.

Outra curiosidade nas estórias sobre os romanos é que Rõmulo e Remo seriam filhos de Sílvia Réia e Marte o Deus em pessoa... Sílvia Réia era uma vestal e elas tinham que manter-se virgens ou eram mortas (aliás matava-se enterrando viva, isto é sem derramar sangue). Filha de importante homem da sociedade, para salvar-lhe a pele, espalhou-se então que teria engravidado de Marte (Ares), ficando livre da morte e gerando os gêmeos que fundaram a cidade de Roma. Mas a fundação de Roma também se atribuem muitas outras histórias. Uma outra coisa interessante foi que eles carregavam o culto dos outros povos para sua "casa" e assim os legionários carregaram o culto Mitraico para Roma, e atualmente muitos altares de igrejas cristãs estão construídos sobre estes antigos altares de Mitra, cuja celebração do culto também correspondia ao dia 25 de dezembro, e conseqüente mente carregaram tantos outros cultos distantes para a Itália.

 

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